Bate-Bola | Jones Mário/Da redação | 02/06/2013 20h24

Bate-Bola: Paulo Rezek

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Paulo Rezek

O diretor-técnico da recém fundada FJJD-MS (Federação de Jiu-Jitsu Desportivo de Mato Grosso do Sul) Paulo Rezek é praticante do “Jiu”, maneira como ele chama carinhosamente o Jiu-Jitsu, há 15 anos.

O primeiro Campeonato Estadual da FJJD-MS foi exemplo de organização, e reuniu 275 atletas da modalidade em Campo Grande. Paulo conta ao Esporte Ágil sobre o crescimento do Jiu-Jitsu no Brasil, os desafios da nova Federação e outros assuntos que interessam aos praticantes e simpatizantes do esporte no Estado.

Esporte Ágil - Como é hoje e como começou o Jiu-Jitsu pra você?

Paulo Rezek - Sou oriundo do Tae Kwon Do, do Karatê, e pratico Jiu-Jitsu há 15 anos. Me apaixonei pelo “Jiu”, que é uma arte tranquila, que te dá mais segurança. Cheguei a competir bem no começo, mas dediquei-me mais no aprendizado e depois a dar aula. Tenho uma marca, a Rezek Jiu-Jitsu. Por um período, dei aula no meu espaço, e depois fui convidado a dar aulas no Círculo Militar de Campo Grande, e lá estou há três anos.

EA - Como você a difusão do Jiu-Jitsu no cenário nacional?

PR - O Jiu-Jitsu hoje no Brasil, apesar de estar sendo difundido pela família Gracie há muito tempo, ainda é pouco reconhecido. Ele está aparecendo mais graças aos Gracie, aos interessados, que são na maioria descendentes da família Gracie, e com a difusão do MMA. O cara do MMA vai pro chão e qual é a arte marcial que trabalha melhor isso? É o Jiu-Jitsu. Então ele começou a entrar em destaque também com o apoio do MMA.

EA - Com a difusão do MMA e consequentemente do Jiu-Jitsu, aconteceu um fenômeno de explosão de novas academias. Você acha que isso pode se tornar um comércio e prejudicar o esporte?

PR - Acho muito difícil de acontecer. O pessoal aqui em Campo Grande ainda é muito tradicionalista. Aqui nós temos treinadores como o Claudionor, como o Isaías, que são muito severos em relação à graduação.

EA - Alguns alunos praticam o Jiu-Jitsu como status ou puxados por essa moda que virou o MMA, e acabam utilizando da arte para praticar violência fora da academia. O que fazer para evitar isso?

PR - Esses desistem rapidinho. Você é moldado e doutrinado ao longo dos anos. Às vezes entra algum aluno com outra intenção, por exemplo, uma rivalidade com algum colega da escola. Mas o aluno é espelho do professor, e o bom professor vai doutrinando e trabalhando o aluno que ele acaba esquecendo essa parte e entra no mundo tranquilo da arte marcial, que é, em primeiro lugar, um esporte.

EA - Todas as artes marciais têm um objetivo, uma filosofia. Qual é a do Jiu-Jitsu?

PR - A palavra Jiu-Jitsu significa arte suave. A consequência dele é a defesa pessoal, mas antes de chegar nisso você tem que trabalhar seu emocional, seu psicológico, a socialização.

Ele te molda pra família, porque toda academia vira uma família. Tem a Família Rezek, a Família Tatuapu Team. Se você olhar no Facebook, todo mundo se diz parte de uma família, coisa que você não vê no Judô, embora eu adore o Judô.

EA - Qual é a proposta da FJJD-MS? Porque ela é diferente?

PR - Trabalhamos com o mesmo Jiu-Jitsu, mas é um trabalho voltado para a formação de seleções para disputar competições nacionais e internacionais, assim como aumentar o número de competições no Estado. Assim, divulgamos mais o Jiu-Jitsu e até unificamos as Federações, mas não fazendo uma só. Cada uma faz a sua competição, e no final do ano fazemos uma que unifique o título, já trocamos até uma ideia com os presidentes em relação a isso.

Nós, da FJJD-MS, não estamos atrapalhando ninguém, até acertamos os calendários. A intenção da Federação é ajudar o atleta a chegar a nível nacional e internacional.

EA - Cite alguns atletas que estão se destacando a nível nacional e internacional:

PR - Temos a Ariadne Oliveira, de Corumbá, o Taedes (Mendonça), o Tatuapu (Alan Régis), o Claudionor (Cardoso) que é um dos mais antigos faixa preta daqui, tem o (Emilio Carlos) “China”, o (Adilson) Higa. Nosso Jiu-Jitsu está muito bem representado. Cito esses nomes porque são pessoas que levam o nome do nosso Estado muito bem.

EA - Como é o incentivo financeiro do Esporte?

PR - Nós estamos penando em relação à isso. O poder público nos serve muito bem, mas falta das empresas, da iniciativa privada. Todo mês nós temos competições nacionais, mês sim, mês não, temos uma competição internacional. O Mato Grosso do Sul vai e traz medalha, e você não vê ninguém parabenizar o Jiu-Jitsu, não vê aquele entusiasmo. O Manoel João, pai da Ariadne, investe pesado no esporte, mas do próprio bolso. Aliás, como eu gasto, e todos que querem ver o esporte crescer.

EA - Você acha que o Jiu-Jitsu pode ser tornar uma modalidade olímpica?

PR - Eu tenho esse sonho, mas é complicado. O Jiu-Jitsu entrou com uma proposta para participar como teste na próxima olimpíada, mas não passou. Esse sonho pode ser realizado um dia, mas é muito demorado. Existem outros esportes que têm mais prioridade.

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