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Bate-Bola | Jones Mário/Da redação | 02/06/2013 20h02

Bate-Bola: Coquinho

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Coquinho

Em mais de 20 anos atuando no futebol profissional, Osmar Alves Côco, o Coquinho, já passou por clubes como o São Paulo-SP, o Vitória-BA e o América-MG, mas foi no Comercial de Campo Grande que ele se firmou.

Hoje, Coquinho é comentarista esportivo da Rádio Difusora e empresário do ramo alimentício, mas ainda possui um objetivo: ser presidente da FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul). Em entrevista ao site Esporte Ágil, ele conta mais sobre seus anseios e experiências no futebol do Estado.

Esporte Ágil - Como o futebol entrou e se desenvolveu na sua vida?

Coquinho - Quando garoto, aos 9 e 10 anos, eu já era gandula da Ferroviária de Araraquara, time da cidade onde nasci. Comecei muito cedo a jogar futebol infantil, juvenil, disputar campeonato amador. Me tornei profissional na própria Ferroviária, fiquei lá por 5 anos como atleta profissional. Quando saí, tive uma passagem rápida pelo São Paulo, fiquei 9 meses lá e não consegui ser titular, na época tinham muitos jogadores bons por lá. Isso em meados de 1976.

O Comercial foi buscar jogadores no São Paulo e eu vim emprestado. E aqui fui ficando.

EA - Como você se definia em campo?

CQ - Eu era centro-avante. Um atacante rompedor, não tinha muita habilidade, mas fazia muito gol. Cabeceava muito bem, era forte e alto, e usava muito isso.

Eu promovia muito espetáculo. Há 30 anos eu já jogava de chuteira branca, eu mesmo pintava minha chuteira. Já entrava no campo de bandana, prometia gols, dava nome à eles. E isso promovia muito o espetáculo. Na época, o futebol daqui era muito forte e a imprensa dava moral pra isso.

EA - Qual a principal diferença do futebol da sua época para atualmente?

CQ - A diferença é muito grande. Nós tínhamos grandes jogadores, tanto no Comercial quanto no Operário, que eram as duas equipes fortes do Estado. O Operário teve uma legião de grandes jogadores, como Arturzinho, Manga. O Comercial teve Gonçalves, Copeu, Diogo.  Hoje, infelizmente, a qualidade técnica dos nossos times está muito baixa mesmo. Por isso que a situação do futebol do Mato Grosso do Sul está nessa situação que se encontra hoje.

EA - E porque você acha que caiu tanto assim?

CQ - Os dirigentes que cuidam do processo mudaram um pouco o foco do futebol. Quando você se torna dirigente de uma entidade, de um clube ou de uma federação você tem que pensar no sucesso desta, e não querer o sucesso só pra você. A credibilidade dos nossos dirigentes caiu muito nesses últimos anos. As pessoas começaram a confundir as coisas, achando que dirigir um clube era pra tirar proveitos pessoais. Por isso que o futebol do Mato Grosso do Sul tá praticamente no fundo do poço. Presidentes assumiram os clubes sem experiência nenhuma, sem treinamento nenhum. Com patrimônio que tinham, o Operário Futebol Clube e o Esporte Clube Comercial não poderiam estar hoje praticamente na sarjeta. O Clube dos 13 também acabou com o futebol do interior do país, Campo Grande sentiu muito isso.

EA - E o poder público?

CQ - O poder parou de investir no nosso futebol porque perdemos a credibilidade, começamos a fazer um esporte fraco, um futebol fraco e administrações ruins.

EA - E quanto aos boatos de que você se candidataria à Federação de Futebol do Estado no ano que vem?

CQ - Eu tenho esse projeto, essa intenção e essa vontade de ser candidato à FFMS. Não sei se eu vou conseguir, mas eu vou trabalhar pra isso. Eu acho que a Federação precisa de mudança e urgente. O presidente da Federação, se é ruim ou se é bom, são os clubes que tem que ver isso, porque são eles que votam.

Precisa de mudança pra ver se a gente consegue reverter essa falta de credibilidade e a falta de interesse da população. Nós temos há tantos anos a FFMS no Estado e ela não tem nem uma sede própria, nem uma sala. E a Federação tem condições sim, de fazer um trabalho mais transparente.

EA - Se você assumisse hoje a Federação, qual seria seu primeiro ato?

CQ - Eu faria uma análise do que é a Federação. Pra que serve uma Federação? Porque as pessoas estão lá dentro? O que elas têm feito pra melhorar? Tem que haver uma mudança radical. Tem que fechar a FFMS pra balanço. Começar tudo do zero. Com pessoas diferentes, pessoas novas, e começar um novo trabalho. E nele, fortalecer os clubes. Senão não adianta. Só a Federação sobreviveu nestes últimos 17 anos com o atual presidente. Ela está se mantendo, mas e os clubes? Cadê um Operário, um Comercial? Cadê essas histórias lindas no futebol do MS? Eles não têm apoio. A Federação precisa trabalhar para os seus filiados. Não é ser pai de clube não, mas no momento você precisa pegar na mão deles.

EA - Porque você acha que o Francisco Cezário tá na FFMS há 17 anos?

CQ - Infelizmente ou felizmente, ele se mantém no cargo, acho que pela influência política que ele tem. Hoje o grande anseio da população é que se troque o presidente da Federação. E isso não é opinião minha, palpite meu. Isso é a opinião da população.

Eu não consigo entender porque que os clubes continuam na mesmice com a Federação!  Eles estão andando pra trás. Você vê os clubes todos falidos, quebrados. Os clubes estão perdendo a identidade com a população. Precisa haver uma renovação que venha para melhorar. Dar uma chance pra essa gente nova, cabeça nova, trabalho novo. Pode dar errado, mas precisa mudar e urgente.

EA - Em 2012 você se candidatou a vereador em Campo Grande. Por quê?

CQ - Fiz pelo esporte. Eu queria se um vereador dos esportes. Acho que a minha mensagem não foi entendida pela população, mas não vou desistir. O esporte é muito importante pra uma cidade. Mas hoje nós temos apenas uma quarta divisão do Campeonato Brasileiro e uma Copa do Brasil, que os clubes vão disputar sem estrutura nem apoio.

O futebol é a maior relação pública do mundo. O futebol precisa da classe política. Não tem como começarmos a caminhar com as próprias pernas, porque não temos renda, não temos investimento, não temos patrocínio forte, e aí fica difícil.

EA - Se você tivesse que escolher um clube de MS que disputou o Estadual deste ano para jogar a série A do Brasileirão, quem seria?

CQ - Se for pelo momento, a equipe do Cene. Eles montaram uma equipe muito forte, com um treinador muito bom e fizeram um trabalho bonito. Em minha opinião, a equipe do Cene está a muitos anos na frente entre os times da Capital. O interior continua brigando. O Naviraiense está num momento muito bom, o Águia Negra vai agora disputar a série D do Brasileiro, mas o Cene é o time que está melhor. Tem estrutura, tem trabalho, falta só a torcida, até porque é um time novo.

EA - Torce pra algum clube?

CQ - Aqui em Campo Grande, tenho uma paixão pelo Esporte Clube Comercial. Mas eu torço muito para o futebol de Mato Grosso do Sul, principalmente para os times da Capital voltar a ser fortes. Hoje, mesmo com todo esse ostracismo que está o futebol de Mato Grosso do Sul, Operário e Comercial são lembrados pelo Brasil afora. Sempre perguntam, e é triste você falar que o Operário e o Comercial estão no fundo do poço, é lamentável.

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